quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Angola 38 anos de guerra

Pela minha paixão por fotografia, pela fascinante arte de mostrar a realidade nua e crua, e pelo simples desejo de compartilhar belas imagens.
Vejam que obra de arte estas fotos de Cláudio Versiani.














Angola 38 anos de guerra
Fotografar em Angola, por si só já não é tarefa fácil. A dura realidade dos sobreviventes de 38 anos de guerra estabelece uma condição tensa na relação fotógrafo/fotografado.Foram duas guerras. Primeiro a de independência e depois a luta fraticida numa guerra civil que atraiu atenção mundial. Por Angola passaram tropas da África do Sul e de Cuba, leia-se EUA e a ex-União Soviética.A câmera fotográfica está associada a espiões, de um lado e de outro. Esta percepção persiste até hoje ou pelo menos persistia até 1999. Mais por conveniência do que por qualquer outro motivo.Em Angola uma câmera significa a possibilidade de se ganhar um dinheiro extra ou até a própria câmera. Mesmo o cidadão comum te diz que é proibido fotografar. Naquela época o menor salário em Angola era de 12 dólares e o maior de 200. Os angolanos tinham de se "virar" para sobreviver. A grande questão que se impõe para um fotógrafo em Angola é exatamente: como fotografar ? Afinal são vítimas de uma guerra cruel, ou duas. Gente que perdeu tudo ou quase tudo. Menos a dignidade, a vontade de viver e a esperança de ser feliz. E felizmente a guerra acabou em 2002.A democracia ainda demora um pouco a chegar, infelizmente.
Texto: Cláudio Versiani









Um comentário:

Kátia Campos disse...

Tenho amigos angolanos, refugiados de guerra, e seus relatos são carregados de dor e lágrimas.

Estas fotos, meu Deus, são absurdamente lindas. Um contraste que choca: beleza e dor...e elas prendem, fascinam, sufocam...vou morrer sem entender tamanha crueldade...